Resenha de The Last Jedi

Antes de mais nada, preciso deixar uma coisa bem claro: O filme não é 100% ruim. Primeiramente, os visuais do filme são os mais lindos que já foram feitos em qualquer filme da franquia. Algumas cenas isoladas são fenomenais e alguns personagens são muito bem desenvolvidos. Porém, infelizmente, isso tudo é obscurecido por uma série de problemas sérios no filme, que no final fizeram com que Star Wars: The Last Jedi fosse comparável a Batman v Superman. Se você gostaria de saber o porquê e não se importa com spoilers, continue lendo. =)

Essa resenha vai ser dividida em torno dos problemas principais do filme:

Acontecimentos inesperados

Muitos louvaram este filme de Star Wars por ele ser um filme inesperado. De fato, isso é a mais completa verdade. Quase tudo o que acontece no filme não tinha sido nem cogitado pelos fãs da série. O grande problema, no entanto, é quando o inesperado não tem uma explicação coerente. E foi exatamente isso o que aconteceu no filme.

Uma das cenas mais inesperadas de todo o filme, por exemplo, foi a morte do imperador Snoke. É uma reviravolta genial e super interessante – se executada da maneira certa. Porém, a execução dessa idéia magistral foi porca e mal-feita, deixando um sentimento de que “o diretor decidiu fazer isso, então vamos fazer isso, independente de ser coerente ou não.” Porque é incoerente? O imperador Snoke surgiu do nada no ep VII. (De onde ele vem?) Tão logo ele aparece, ele toma para si a posição de IMPERADOR. (Como ele fez isso?) Ele é o mestre do protagonista Kylo Ren e tem um domínio absurdo da força, a ponto de conseguir usar seus poderes de muito longe, enquanto conversa por holograma com um general e consegue controlar facilmente a Rey e o Kylo Ren (no início do filme) sem nem demonstrar sinais de esforço. Ele conecta pessoas por intermédio da força e consegue ler mentes. Ele é um vilão fenomenal, misterioso e forte. Muita ênfase foi dada, após o ep VII, sobre quem o Snoke era e os diretores e produtores ainda disseram, numa entrevista, que o ep VIII traria as respostas pra isso.

O que o ep VIII trouxe, no entanto, foi decepção. Não há explicação de quem Snoke é, de onde ele veio, de como ele se tornou imperador e nem o que ele realmente queria. Temos apenas um Snoke que humilha Kylo Ren no início do filme (que aliás é uma cena épica e super bem bolada) e um Snoke que mima Kylo Ren e faz um discurso extremamente brega sobre “matar o seu verdadeiro inimigo”, que acaba invalidando a cena fenomenal do início do filme, a humilhação do seu aprendiz. O próprio diálogo em si já não faz sentido ou é coerente, mas o pior é a sua morte: Kylo Ren usa a força para girar e ligar o sabre de luz azul, cortando Snoke ao meio.

A incoerência: Snoke é um ser que tem um controle da força que supera o controle da Rey, do Kylo e talvez até do Luke. Ele consegue ler mentes. Ele tem domínio da força mesmo a distâncias bem largas. A morte dele, no entanto, ao invés de levar isso em consideração, ao invés de ser um plano bem bolado e executado, se torna apenas algo completamente incoerente. A sensação foi que o diretor decidiu matar o Snoke e eles filmaram isso, sem se dar ao trabalho de dar motivos aos espectadores.

Como um ponto adicional, nós aprendemos, nos 6 filmes da franquia, que ir para o lado negro da força é algo sério. Quando Anakin está cambaleando entre o bem e o mal, é a morte de Mace Windu que finalmente faz Anakin sucumbir ao lado negro. É notável a mudança de Anakin depois disso. Nós confirmamos isso no ep VI quando Darth Vader deixa bem claro que ele NÃO CONSEGUE desobedecer o imperador, pois o lado negro da força é muito forte, como algo que o aprisiona. É por isso que o final do ep VI é tão comovente. O amor que ele tem pelo filho supera o poder que o lado negro exerce sobre Darth Vader e ele no final consegue matar o imperador, às custas de sua própria vida. Sair do lado negro tem seu preço também.

Porém tudo isso é ignorado no ep VIII. Após Kylo Ren matar seu próprio pai, Han Solo, para finalmente passar para o lado negro da força (algo comparável com a morte de Mace Windu para Anakin ou o fato do imperador querer que Luke matasse o próprio Darth Vader, aceitando assim o controle do lado negro) nós vemos um Kylo Ren MAIS confuso e menos preso pelo lado negro da força. Além disso, Snoke diz que matar a Rey terminaria seu treinamento. Como “matar o pai” atrapalha seu treinamento no lado negro, mas “matar uma desconhecida” seria impactante o suficiente para que Kylo Ren fosse para o lado negro? São incoerências que irritam, pois elas ignoram todo o lore existente e apenas diz: “Olha, eu quero que seja desse jeito, então vcs apenas aceitem.” Incoerências como essa fazem um filme que tinha tudo para ser o melhor Star Wars da franquia se tornar uma piada.

Outra incoerência que nós vemos nesse filme está relacionada a Luke Skywalker. Neste filme, nós descobrimos um Luke revoltado com os jeitos antigos da força, dos Jedi e decide que tudo deve acabar. Mas o grande problema é que Luke não nos dá um motivo do porquê. Ele, em determinado momento, explica como os Jedi foram uma piada (e foram mesmo, de acordo com os ep I a III), mas o fato de Luke ser um personagem dos eps IV a VI faz esse comentário soar estranho. Ele desenvolveu um ódio tão grande… Lendo livros de história? No final do ep VI ele retorna como Jedi e dá equilíbrio à força, mas nenhuma explicação é dada de como aquele Luke, tão simpático e determinado vira um homem paranóico e mimado. Uma outra explicação também foi dada, que ele sentiu medo de Bem Solo e decidiu matá-lo. Após isso, ele sentiu vergonha de si mesmo. E no mal entendido, Ben mata seus aprendizes e foge. O Luke do ep VI não se isolaria. Ele não se isolou nem quando descobriu que seu próprio pai era arauto do imperador. As desculpas para a revolta de Luke não convençem, não dão base pra tanta frustração e acabam fazendo Luke parecer um adolescente revoltado e mimado.

E Luke é um adolescente mesmo, pois também muda de opinião que nem um. Decide que nunca iria treinar Rey, mas após rever o holograma de Leia (que é uma cena muito bonita), decide que tudo bem, Rey vai receber um treinamento. Diz que vai dar 3 lições e só dá duas. Diz que vai queimar os livros sagrados dos Jedi, mas fica hesitando. Diz que não devem mais ter Jedi, mas diz que a Rey é uma nova Jedi. Ele se contradiz o filme todo, parecendo um velho que voltou a ser uma criança. Só faltaram as fraldas, para uma maior verossimilhança.

Pior que isso é o aparecimento de Yoda, como um “fantasma da força”. Imagine um comercial de cerveja onde uma mulher bem avantajada e quase sem roupas segura uma garrafa, fazendo uma cara sexy. Isso é o equivalente de Yoda do filme. Ele não adiciona nada, mas está lá para fazer dinheiro com os fãs da antiga série. Ele aparece como “fantasma”, bate na cabeça de Luke (como? ele não é um fantasma?) e ainda destrói os livros sagrados junto com o altar dos Jedi, quando Luke tem mais um “mood swing”. Pergunta: Se os “fantasmas da força” podem fazer isso tudo, porque o Yoda não se junta com o Anakin, o Obi Wan e o grande Qui Gon Jinn e botam ordem na galáxia? As incoerências são tantas que incomodam demais. Eles tentaram fazer uma homenagem muito bonita e teria sido excelente, se o Yoda não interagisse fisicamente com Luke e a ilha.

Falando em incoerências, você lembra de quanta ênfase foi dado no mistério dos pais da Rey? “The force runs strong in my family” foi uma frase de efeito no ep VII que deixou todos os fãs especulando de onde a Rey veio. A resposta foi inesperada. Ela veio de dois zé ninguém que ninguém conhece. O grande problema com essa resposta é que nós temos uma cena no ep VII da Rey sendo separada dos pais quando criança, para ser protegida. Como que a história dos pais crápulas que abandonaram a filha pois não a amavam entra nessa cena? Como que a frase da rey de que a força é forte na família dela entra nessa explicação? Inesperado? Claro que sim, afinal, é uma grande porcaria de resposta, que não responde nada e simplesmente pisa e ignora tudo o que já foi dito no filme anterior.

Uma incoerência menor, que pode até passar pro espectador menos exigente, é a comandante que assume o cargo, depois da explosão da qual Leia sobrevive (mais sobre isso logo logo). Supostamente ela é uma boa comandante. Supostamente ela foi escolhida pois ela SABE o que significa ser uma líder. Mas o que vemos é uma pessoa mesquinha, que não explica nada a ninguém e ainda tem a audácia de atirar em seus próprios tripulantes. Eu entendo perfeitamente que a idéia foi para que os espectadores imaginassem que ela era uma espiã da Primeira Ordem, mas um comandante e líder, especialmente nos filmes de Star Wars, é uma pessoa que inspira confiança, que explica seus planos, que se importa com seus subordinados. Não vemos nada disso na comandante de cabelo pintado (honestamente, eu não lembro o nome dela e francamente, ela nem merece toda essa honra) que sacrifica 2 naves e 2 tripulantes à toa e só tem a idéia genial de se jogar contra o encouraçado depois que 4/5 da frota foram dizimados, bem na sua frente.

O que nos leva ao segundo grande problema principal do filme:

Absurdos inexplicáveis

Sim, estou falando da Leia voando no espaço. Sim, é uma cena extremamente absurda. Não, o fato dela ser uma Skywalker não dá carta branca pra ela sobreviver uma explosão, uns 5 minutos num espaço a -270 Cº sem ar e ainda se puxar usando a força para dentro da nave. Foi a coisa mais imbecil desse filme, com toda a certeza.

Um segundo absurdo, menos impactante, mas bem tosco, foi o fato de que Finn é um dos pilotos das “naves sucatas” que eles usam pra “ganhar tempo” na grande defesa final da base de Holdo. Eles demoram bem uns 15 minutos indo em direção aos Walkers, em linha reta, numa velocidade considerável. Ele quase se sacrifica mas a Rose salva ele no último minuto, dá um beijo e desmaia. Aonde eles estão? Nos pés dos Walkers, do lado de todos os imperiais. Porém, em menos de 1 minuto, eles estão de volta à base. Voltaram ANDANDO. 15 minutos pra chegar, voando numa nave. 1 minuto pra voltar, andando, carregando uma pessoa nas costas, milagrosamente evitando serem capturados pelo inimigo. Ok.

Se a morte de Snoke não foi um absurdo inexplicável, o fato de Kylo Ren ter tanta facilidade para matar o imperador e tanta dificuldade para vencer os guardas do Imperador (com a ajuda da Rey, ainda por cima), é bem patético.

E um absurdo que vai se repetindo diversas vezes durante o filme é o shift de poder em todas as batalhas. Começamos com apenas um X-wing contra vários destroyers e um encouraçado. Assim que todos os canhões são destruídos, do nada aparecem várias naves rebeldes e váriás naves-bombardeio. Após o encouraçado explodir, surge outro encouraçado do no nada. Eles convenientemente conseguem rastrear uma nave pelo hiperespaço sem explicação ou motivo. Eles convenientemente não conseguem rastrear uma nave pequena que está voando ali do lado deles. Após a destruição de um segundo encouraçado, eles vão de encontro aos rebeldes com um exército de walkers e um aríete com tecnologia da estrela da morte. A impressão que dá é que estou vendo um anime, onde as pessoas do nada conseguem aumentar seu poder de batalha, mudando o ritmo da luta. Mas falarei mais sobre isso ali embaixo, no grande terceiro problema do filme:

Falta de ritmo

No ep IV, quando eles estavam presos pelo raio-trator da estrela da morte, eles bolaram um plano audacioso de desligar o mecanismo para poder fugir. Enfrentaram dificuldades para salvar Leia. Sofreram perdas consideráveis. Eu sentia que aquilo foi de fato algo difícil, um grande obstáculo para os personagens. Mas eles conseguiram vencer.

No ep V, na batalha de Hoth, você nota que os rebeldes fazem de tudo para sobreviver e conseguem, mas é uma vitória que custa caro: a vida de tantos rebeldes, de tantos equipamentos. Nós notamos a frustração de Luke ao achar, inocentemente, que ele vai conseguir salvar a todos na cidade das nuvens, só para perder uma mão e descobrir que o vilão era seu próprio pai. Nós nos chocamos quando Han Solo foi congelado em carbonita.

No ep VI a luta final contra Darth Vader é sofrida. Nós vemos o conflito do jovem Skywalker, lutando contra o lado negro e seus sentimentos de raiva e o que era certo. Tudo isso são apenas exemplos dos grandes desafios que vivenciamos na trilogia original. Eram obstáculos bem pensados, difíceis de transpor, mas que no final, conseguiram ser vencidos, muitas vezes com sacrifícios da parte dos protagonistas.

Isso não existe no ep VIII. É incrível como os problemas aparecem e desaparecem, sem a necessidade de uma resolução da parte dos protagonistas. As naves-bombardeio que explodem sem motivo, mas apenas uma foi suficiente para causar o máximo de destruição. A falta de combustível da nave que se resolveu por não se fazer nada. O fato deles escaparem da vigilância dos rebeldes, para tentar buscar ajuda, sem nenhuma complicação. O fato que eles precisavam achar um decodificador e são colocados na mesma cela que um, que convenientemente abre tudo (Oi McGyver do espaço), o fato deles entrarem no encouraçado do imperador sem esforço, o fato deles serem pegos sem explicação, o fato de da base não ter uma saída mas inesperadamente, ter (graças a uma versão de gelo do Eevee). As resoluções vão acontecendo sem a necessidade de que os protagonistas façam algo. Isso é algo extremamente desanimador num filme.

Falando em falta de ritmo, vamos voltar para a ilustração de um anime shounen: Acho que todos nós já vimos aquele anime onde duas pessoas se enfrentam, estão com o mesmo nível de poder, daí um fala “pronto, terminei meu aquecimento” e do nada aumenta seu poder sem explicação e começa a dar uma surra no outro lutador, que por sua vez fala “ok, terminei meu aquecimento também” e também aumenta seu poder inexplicavelmente e vira o jogo, até que o primeiro combatente diz “então vou lutar sério agora” e mais uma vez aumenta seu poder, virando mais uma vez o jogo…

Foi exatamente isso que aconteceu no filme, tem quase todos os momentos. Um x-wing, destruindo os canhões de um encouraçado sozinho. Destruiu quase todos, menos um. Segundo a conversa dos personagens, se apenas um estivesse funcionando, o ataque não funcionaria. Mas conseguiram destruir o canhão e vieram as bombas. Aí as naves foram atacadas do mesmo jeito, mesmo sem canhões, e explodiu quase tudo. Mas eles conseguiram, com a última nave, explodir um encouraçado e fugir. Para descobrirem que do nada o império aprendeu a rastrear naves pelo hiperespaço e convenientemente, eles tão quase sem combustível, Mas eles bolaram um plano mirabolante pra salvar a frota. Que convenientemente foi dando certo. Mas no final não deu. Aí descobrimos que tinha um outro plano que contava com o fato do império não rastrear naves pequenas, mas o império viu as naves do mesmo jeito e foi destruindo tudo. Aí A louca do cabelo roxo finalmente decide meter a nave dela no meio do encouraçado na velocidade da luz (uma cena espetacular), causando a destruição de um segundo encouraçado e parando com o ataque do império, para 15 minutos depois descobrirmos que eles conseguiram montar um ataque com um exército de walkers e um aríete, que não adiantou de nada, pois eles escaparam do outro lado, na millenium falcon. Teve tanta mudança de ritmo, tantas reviravoltas que não acrescentam em nada, de uma maneira tão incompreensível e sem explicação, que ficou extremamente desinteressante. Cansativo até.

Falando em reviravoltas sem explicação, o filme todo tem uma carência disso. Explicação. Nada do que foi prometido que seria explicado foi explicado. Enquanto alguns poucos personagens foram bem desenvolvidos (como o Poe que tomou uma bronca e aprendeu com os erros), outros foram jogados de lado e não fazem nada nem tem crescimento na série (como o Finn, que só corre de um lado pro outro). Esse filme foi vazio. Teve tanto efeito, tanta reviravolta, tanta coisa inesperada… que faltou espaço pra história.

Por fim, o quarto ponto que não é negativo, mas é nebuloso, pois envolve nossa espiritualidade e nossa consciência:

Áreas nebulosas

Violência. Esse foi um dos Star Wars mais violentos da franquia. Apesar de alguns não ligarem tanto para isso, isso incomoda muito. Infelizmente a gente tá vendo um aumento muito grande da violência nos filmes nos últimos anos e isso não faz bem pra consciência nem para a espiritualidade de ninguém.

A Força aparentemente agora não tem lados. Sem Jedi nem Sith. Sem lado bom ou ruim. Isso pode ser bom de um certo ponto de vista. Um novo Star Wars, com idéias novas e originais. O que eu vejo, no entanto, é que eles tão falando que o mal não é bem mal e o bem não é exatamente bom. Bem no estilo do Habacuque, dizendo que o mal se tornou bom e o bom, mal. Sim, é só um filme. Mas filmes, assim como videogames, jogos, livros, séries e outras coisas também podem ser consideradas más associações, correto?

E por fim, os escritos sagrados, que convenientemente só aparecem nesse episódio. Em nenhum filme falam de escritos Jedi, mas nesse tem lá tudo bonitinho. Tem o cara que diz que são antiquados. Não prestam mais. Mas na hora, fica com receio de destruir. Aí vem o yoda e fala “vc não leu os escritos né?” e ele faz aquela cara quando um morador pergunta pro publicador “você já leu a bíblia inteira?” e ele não leu. E por fim, o Yoda bota fogo nos livros, dizendo que são antiquados mesmo. Pra alguns, aquilo é só lore do Star Wars. Eu vi meio que uma crítica à bíblia. Achei bem chato.

TL;DR

Snoke não é explicado e morre de maneira que não faz sentido, erradicaram o lado negro da força como nós conhecemos, Luke virou um adolescente mimado, Yoda aparece como uma loira de comercial de cerveja, não explicaram nada dos pais da Rey, não explicaram nada do Snoke, Leia sobrevive a uma explosão, a 5 minutos no espaço e usa a força inconsciente, incoerências nas batalhas, mudança de poder sem motivo, falta de ritmo e conteúdo no filme, falta de resoluções dos problemas de forma criativa, personagens não contribuem pra resolução dos problemas no filme, violência desnecessária, crítica à bíblia, falta de história.

Fim.

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Eu tirei poucas fotos em Sasebo. Eu fiquei tão entretido com o campo, conhecer os irmãos e curtir a viagem que eu honestamente esqueci de tirar fotos de muita coisa. Mas aqui estão algumas fotos para vocês!

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Veja o post original contando o que aconteceu em Sasebo!

Sasebo

Lá estava eu, seguindo meu grande roteiro de viagem pelo Japão. 3 meses para conhecer os mistérios de Kyuushuu e Okinawa. À essa altura, eu já tinha desbravado Okinawa (com sua congregação de inglês impressionante), Miyako-jima (com sua água azul cristalina) e Ishigaki (com as arraias e uma vida submarina de tirar o fôlego) e havia conhecido Fukuoka também, a maior cidade de Kyuushuu, com seus famosos yatai (algo como pequenos quiosques que são montados nas ruas de Fukuoka, onde são servidos vários pratos típicos da região, juntamente com vários tipos de “comida de rua”) e agora estava na vez de Nagasaki!

Eu estava bem ansioso para conhecer Nagasaki. Como um fã da era Sengoku do Japão, eu sabia que a cidade de Nagasaki foi um grande porto português por algumas décadas no Japão. Por causa disso, existem alguns prédios de construção européia lá. Depois de 1634, a ocupação estrangeira foi limitada a Dejima, uma ilha artificial na baía de Nagasaki, onde os Holandeses ficaram por alguns séculos, tentando mediar o comércio do Japão com o exterior. Mesmo com a bomba nuclear que eles receberam no fim da segunda guerra mundial, Nagasaki conseguiu preservar muito da história exótica do Japão com o ocidente, uma história pouco conhecida e muito interessante (Pros interessados sobre o assunto, eu recomendo a leitura do livro “Shogun”, do James Clavell e o livro “The Thousand Autumns of Jacob de Zoet, do David Mitchell).

Além disso, havia um grupo de inglês das Testemunhas de Jeová em Nagasaki, segundo o site jw.org! Unindo o útil ao agradável, meu plano era ir para Nagasaki sábado de manhã e passar o fim de semana hospedado num hotel “europeu” para conhecer a cidade, apoiar o grupo, ir na reunião e sair no campo com os irmãos de lá. Porém, alguns imprevistos aconteram. Na sexta à noite um irmão de Fukuoka me informou que o grupo de inglês não fica na cidade de Nagasaki, mas na cidade de Sasebo, dentro do distrito de Nagasaki! Essa cidade ficava a 2h de distância de onde eu me hospedaria, atrapalhando grandemente o plano de conhecer o grupo. Então ele ligou para o coordenador do grupo e explicou a minha situação. Inesperadamente, o irmão de Sasebo então pediu para falar no telefone comigo.

A conversa a seguir foi bem interessante. Ele perguntou um pouco sobre quem eu era e se eu teria possibilidade de cancelar meu hotel em Nagasaki. Eu disse que sim. Então, o irmão me pediu para pegar um ônibus para Sasebo ao invés de Nagasaki. Apenas isso. Naquela noite eu cancelei meu hotel e minha passagem para Nagasaki e na manhã seguinte, eu fui para Sasebo, sem nem saber onde eu ficaria. O irmão que havia falado comigo pelo telefone me encontrou meio-dia na rodoviária, onde me levou para almoçar num restaurante de tenpura bem famoso da cidade. Segundo o meu novo amigo, aquele restaurante era conhecido pelo Japão inteiro e muitos vinham visitar a cidade para conhecer a culinária de lá. O mais interessante: o chef e dono do restaurante também era irmão!

Após nos deliciarmos com uma refeição bem gostosa, decidimos fazer um pouco de campo. Acompanhei o irmão em suas revisitas a diversos soldados da base militar de Sasebo, onde surpreendentemente fomos recebidos muito bem. Após uma tarde de campo ele me levou para sua casa, onde sua esposa nos esperava para fazer a janta. Para meu deleite, ela perguntou se eu gostaria de aprender a fazer gyoza e yakisoba (japanese style) e tivemos uma pequena aula de culinária que resultou num jantar maravilhoso. O casal então explicou que eu dormiria na casa deles aquela noite, mas no dia seguinte iria ficar hospedado na casa de outro casal do grupo. A noite terminou com um onsen em Takeo (uma cidade vizinha) onde eu experimentei o famoso banho japonês pela primeira vez da maneira como se deve ser apreciado. (coincidentemente, foi o onsen mais quente que eu experimentei no japão também, com a água a 45ºC!) E sim, eu tomei o café com leite no final.

No dia seguinte fomos para o campo do grupo de inglês, onde eu conheci os membros restantes: dois casais e duas irmãs solteiras. O grupo todo são 8 irmãos, 9 se contar com uma nigeriana testemunha de Jeová que estava visitando a cidade. Saí no campo com as duas irmãs, ambas muito zelosas. Tivemos excelentes experiências no campo, conseguimos abrir a bíblia e até marcar revisitas. Após o campo, eu fui convidado para almoçar pelo segundo casal do grupo de inglês. Eles me levaram para comer chanpon, um tipo de lamen de frutos do mar bem gostoso. Nesse almoço os irmãos me explicaram algo que me tocou profundamente. Como eu iria ficar apenas dois dias (sábado e domingo) na cidade, mas haviam 3 casais no grupo, eles decidiram que um casal me hospedaria no sábado, outro no domingo e o casal que não poderia me hospedar me levaria para almoçar. Quanto às irmãs que também não poderiam me hospedar, por motivos óbvios, elas iriam sair no campo comigo. O motivo? Todos queriam aproveitar o tempo com o estrangeiro que veio visitar o grupo deles!

Depois do almoço fomos para a reunião do grupo de inglês, que acontece ao mesmo tempo que a reunião da congregação japonesa do salão. Chegando lá, eu vejo o dono do restaurante de tenpura no salão! Embora ele não falasse inglês, com meu pouco japonês e com a ajuda de um irmão nós conversamos um pouco. Ele tinha um problema curioso: Ele não conseguia usar nenhum tipo de transporte sem passar muito mal. Isso significa que ele não coseguia andar de avião, de carro, de ônibus e nem de bicicleta. Era uma condição rara e que aparentemente não tinha cura. Por causa dessa condição, ele nunca havia viajado para fora de Sasebo. Ele, com mais de 80 anos, sempre viveu naquela cidade. Por isso, ele gostava muito de conhecer os irmãos que visitavam o grupo, para saber um pouco mais sobre os lugares que ele nunca conheceu. Conversamos bastante sobre o Brasil e sobre como no novo mundo, ele vai viajar pelo planeta inteiro, até o momento em que a reunião iria começar. Ele ficou no salão principal e eu fui pra sala B, pra reunião em inglês.

Na reunião do grupo, um ancião (o marido do casal que iria me hospedar naquela noite) fez um discurso excelente. A sentinela foi animada, com muitos comentários, apesar da dificuldade de todos com o idioma. Após a reunião era hora do campo, mais uma vez. Fizemos campo de rua, falando com os estrangeiros que passeavam pelo local e acabamos achando um filipino que havia estudado a bíblia a 20 anos atrás e tinha parado o estudo e agora queria voltar.

De noite, jantamos na casa do casal que me hospedaria, junto com as duas irmãs solteiras do grupo. Uma grande surpresa: Todos eles me deram presentes! Não só o casal e as irmãs solteiras, mas todos os membros do grupo de inglês quiseram me dar alguma coisa. Um irmão me deu um quadro com João 17:17 escrito em japonês (que eu pendurei na parede do meu quarto), outra irmã me deu uma grande porção de um tipo de udon que a família dela produzia. Era delicioso! O dia terminou com conversas espirituais e muitas risadas.

No dia seguinte, segunda feira, o irmão que me hospedara me levou até a rodoviária para voltar para Fukuoka, onde minha viagem continuaria. Nos despedimos e eu entrei no ônibus. Após esse fim de semana, eu conheci muitos outros lugares no Japão. Tive experiências maravilhosas. Mas, olhando para trás, se alguém me perguntasse qual foi a parte mais especial dessa viagem, eu teria que responder: Sasebo.

(algumas fotos desses dias maravilhosos em Sasebo podem ser vistas neste post!)

Você gosta de quem você é hoje?

Eu tinha 9 anos e havia ganhado de presente um Game Boy Color. O primeiro portátil da Nintendo a exibir cores em sua tela! Eu mergulhei profundamente na minha nova aquisição, jogando vários jogos, como Super Mario Land 2 e TLoZ: Link’s Awakening. Mas como um garoto de 9 anos não tem dinheiro pra ficar comprando jogos novos, eu costumava pegar jogos emprestado com o colega do curso de inglês que também tinha um Game Boy. Ele tinha muito mais jogos do que eu. Toda aula ele levava os jogos e eu escolhia um. Na semana seguinte, eu devolvia o jogo e escolhia outro. Teve uma vez que ele trouxe os jogos e entre os cartuchos cinzas e pretos (que eram a cor padrão dos cartuchos de Game Boy), havia um cartucho azul. O fato dele ser de uma cor diferente me chamou a atenção e por por isso que eu decidi pegar aquele jogo emprestado. Por causa da cor.

Era um jogo chamado Pokémon. Tão logo comecei a jogar me deparei com uma escolha que marcaria minha memória durante muito tempo. Eu tinha que escolher um monstrinho para começar o jogo. Qual deles? Dúvida cruel. A semana passou e eu tive que devolver o jogo, antes mesmo de terminá-lo. Mas eu já estava decidido. Eu precisava saber como terminava. Alguns meses depois, eu tive uma surpresa muito feliz, pois minha mãe decidiu comprar um presente pra mim, um jogo de Game Boy. O jogo da fita azul. Dessa vez eu joguei até o final, até a captura do tão misterioso Mewtwo. Que jogo! Logo após isso, soube que o desenho animado do Pokémon iria passar no Cartoon Network. Eu já estava aficionado.

Durante os anos seguintes, vi a série toda na televisão e colecionei o álbum de figurinhas (o único álbum que eu completei na vida). O vício foi tão grande que, quando os novos jogos da franquia foram lançadas no japão (versões Gold e Silver), eu baixei um programa que emulava o videogame portátil no computador e joguei o jogo todinho, até o fim, em japonês mesmo. Eu não comecei a gostar de Pokémon porque todo mundo gostava. O que me levou a gostar do jogo foi aquele cartucho azulzinho, quando eu tinha 9 anos. Um jogo que me cativou. Apenas isso. E foi a descoberta desse jogo que me levou a tantos momentos que me enchem de uma nostalgia gostosa, lembrando das batalhas contra meus colegas de classe, das noites onde eu quebrava a cabeça para entender o japonês do jogo no computador, de conversar com meus amigos sobre os bugs do jogo (MissingN0, quem lembra?) ou até do rumor de que se podia capturar o Mew atrás do S.S. Anne, que ficava em Vermillion.

É uma nostalgia que tem gostinho de infância. De amigos. De diversão. Foi uma época muito boa da minha vida. Não havia compromissos, contas a pagar, problemas para lidar, falsos amigos, dificuldades nem aborrecimentos. Foi uma época simples, lembrada pelos olhos daquela criança curiosa, que gostava de descobrir coisas novas e não tinha preocupações.

O tempo passou. A franquia cresceu e mudou. Os 150 monstrinhos viraram 721. O garoto de 9 anos se tornou um adulto de 26. Eu continuei a gostar de videogames e de Pokémon, mas a paixão que eu tinha pela franquia diminuiu, pois eles mudaram e adicionaram tanta coisa que acabou perdendo um pouco do brilho pra mim. Eu cheguei a jogar algumas versões novas, mas não com o mesmo entusiasmo daquela criança de 9 anos, quando viu um cartucho azul pela primeira vez.

E então, recentemente, a Nintendo, em parceria coma Niantic, lançou Pokémon GO, que você, leitor, provavelmente já sabe do que se trata. O grande segredo: os monstrinhos do jogo são os 150 originais. Aqueles 150 monstrinhos do cartucho azul. Enquanto muitos estão aderindo ao hype, muitos também estão criticando.

“Isso é coisa de retardado.”

“Vai procurar trabalho!”

“Bando de vagabundo, não tem mais o que fazer.”

“Quando se sentir estúpido lembre que tem gente lá fora procurando por Pokémon.”

Embora sejam opiniões bem mal-educadas e agressivas, cada um tem o direito de ter sua opinião e essas pessoas merecem ser respeitadas. Mas aos meus amigos, que talvez tenham a mesma opinião, eu gostaria de apenas perguntar algo. Ao invés de rotular todos os usuários de um determinado aplicativo de estúpidos, retardados, vagabundos ou desocupados, o que vocês acham de entender porque o aplicativo foi um sucesso tremendo e porque alguns de nós ficamos tão felizes em jogar um jogo desses? Para responder essa pergunta, eu gostaria de fazer outras duas:

Relembrar um passado que te deu felicidade é algo “estúpido”? Relembrar a criança que nós fomos, as coisas que nós amamos e fizemos é “coisa de retardado”? Como vocês se sentem vendo um episódio de Chaves? Como vocês se sentem lendo Turma da Mônica? Como vocês se sentem comendo uma bala juquinha? Como vocês se sentem abrindo um caderno antigo da época do colégio? Ou achando um bilhetinho que um amigo escreveu pra você, quando você era pequeno? Quando você revira o armário e acha aquele bichinho de pelúcia que você não largava quando era criança? Quando você vê fotos daquela época? Você também sente nostalgia? Você também lembra com carinho daquele tempo?

É isso que muitos de nós sentimos ao jogar o jogo novo da Niantic. Não é modinha, é algo muito mais antigo, quando ser nerd não era “cool” e ninguém sabia o que era Star Trek, Senhor dos Anéis, Zelda, Homem de Ferro ou o Guia do Mochileiro das Galáxias. O que nós sentimos é nostalgia. Não quer dizer que nós jogamos um jogo 24h por dia também. Todos nós trabalhamos, pagamos nossas contas, alguns até vivem sozinhos, longe da família. Alguns de nós temos de cozinhar nossa própria comida e lavar nossa própria roupa. Cumprimos com nossos compromissos e cuidamos da família, mesmo se estamos longe deles. E mesmo com tantos afazeres, a gente acha um tempinho para jogar aquele jogo no celular porque a sensação sair por aí capturando Pokémon nos faz lembrar daquele garotinho que nós fomos um dia. Que tinha como objetivo ser um mestre Pokémon, porque a vida dele era muito mais simples. E então, a gente continua vivendo, enfrentando um leão por dia, cuidando da nossa vida e vencendo os problemas. Com a cabeça de um adulto, mas com um coração de criança.

Será que ter carinho por quem você foi é estúpido ou coisa de retardado? Eu, pessoalmente, acho que não. Eu tenho muito orgulho de lembrar de quem eu fui, pois se eu não tivesse sido aquela criança curiosa, inocente e alegre, que amava jogar videogame e vivia com o nariz enfiado nos livros, eu não seria quem eu sou hoje. E eu gosto muito de quem eu sou hoje.

 

ps1.: Além dos assuntos discutidos aqui, ainda temos casos de crianças que, apesar de autistas e quase nunca saírem de casa, estão andando pelas ruas todos os dias e fazendo amigos, por causa de um jogo no celular. Não é um caso isolado e é algo impressionante. Eu recomendo a leitura dessa matéria aqui.

ps2.: Para quem gostaria de entender um pouco mais sobre ter a cabeça de um adulto e um coração de criança, uma sugestão de filme: Procurem o filme “The Kid” (o título em português é “Duas Vidas”) e divirtam-se!

Idiossincrasias da Selfie

– Sr. McCurry, obrigado por ter vindo ao instituto nacional de fotografia.

– Sem problemas, Sr. Solano. O senhor queria me ver?

– Vou ser direto ao ponto, Sr. McCurry. Nós recebemos uma denúncia muito preocupante sobre o senhor.

– O que foi denunciado?

– Que o senhor não acredita em selfies.

– Acreditar? Bem, eu realmente não gosto de selfies.

– Você compreende a gravidade da situação?

– Gravidade? Como assim?

– Você é um de nossos mais prestigiados fotógrafos, sr. McCurry. É inconcebível que um fótografo associado ao maior instituto de fotografia do mundo não acredite em selfies.

– Como assim, acreditar? Eu não estou entendendo. Eu apenas prefiro tirar fotos da natureza e das pessoas e não de mim mesmo.

– Estou vendo que o caso realmente é sério, exatamente como nos foi reportado.

– Com licença, sr. Solano. Eu não estou entendo.

– O que você não entende, rapaz? Seu futuro e integridade como fotógrafo está em jogo. Você acha que pode continuar trabalhando conosco depois de revelar um fato tão absurdo como esse?

– O que??

– Como pode um fotógrafo bem instruído e inteligente negar o uso de selfies??

– Mas qual o problema com o fato de eu não gostar de tirar selfies??

– Então você cegamente defende a sua fé anti-selfística? É isso?

– Fé??

– Já foi comprovado cientificamente que selfies são a evolução da fotografia. Os registros de negativo do passado confirmam que o processo darregueótipo foi criado exclusivamente para que possamos tirar fotos de nós mesmos – SELFIES!

– E o senhor me diz que eu não posso continuar sendo um fotógrafo se eu não começar a tirar selfies?

– Bem, nenhum instituto de respeito o reconheceria como tal. Ninguém o contrataria. O senhor corre o risco de se tornar um pária do mundo fotográfico, se já não o é.

– Com todo o respeito, sr. Solano. O tipo de fotografia que eu gosto ou não gosto é problema meu. Um gosto pessoal.

-Não. É uma afronta à própria câmera, profissão e arte fotográfica!

-Eu não tenho mais tempo pra discutir um gosto pessoal com o senhor, sr. Solano. Com licença…

-Você não tem permissão para ir embora ainda! Sente-se! Sr. McCurry, perdão pela minha falta de modos. Eu o chamei aqui justamente porque respeitamos muito o senhor e por isso queremos abrir sua mente para a verdade da fotografia.

– Minha mente já está bem aberta e achando essa conversa uma perda de tempo.

– Ora, vamos lá sr. McCurry. Raciocine comigo. Antes da fotografia, qual era o tipo de pintura que quase todos os artistas tinham em comum? o auto-retrato! Desde aquela época, a verdade sobre selfies já existia e era amplamente aceita e venerada! Como é que o senhor, uma pessoa que recebeu excelente educação, pode dizer que não acredita em selfies?

– Exatamente qual o objetivo dessa conversa, sr. Solano?

– Ora, que você finalmente enxergue a verdade e passe a aceitar as selfies.

– EU-NÃO-QUERO-TIRAR-SELFIES.

– Mas sr. McCurry. Selfies são o ápice da expressão na fotografia. Não existe nada mais belo para ser capturado por uma lente do que uma selfie.

– Eu prefiro tirar fotos dos outros.

– Mas quanto absurdo! O senhor está me dizendo, em sã consciência de que uma foto de um animal exótico no fundo do mar é mais valiosa do que uma selfie no elevador? Que uma foto das ruínas de uma civilização antiga é mais importante do que uma selfie no banheiro?

– Sim.

– Mas isso é completamente ilógico, sr. McCurry. Como é possível defender seu desgosto por selfies assim? Nenhuma pessoa com um mínimo de educação secular poderia levá-lo a sério.

– Com licença…

– Ora, vamos lá, estou dando uma chance a você! Me dê um motivo para provar sua aversão à selfies.

– Selfies são um produto do narcisismo e egoísmo humano.

– Ah, quanta baboseira! Você leu isso aonde, num site apóstata? Eles também pregavam que as fotos tem que captar um momento espontaneo e natural? sr. McCurry, eu pedi um argumento de verdade.

– Esse é o meu argumento e eu não li ele em lugar nenhum.

– Então você ainda tem muito o que ler e pesquisar, quem sabe se o senhor visitar nossa biblioteca e pesquisar sobre o tema…

– Sr. Solano, se eu sou forçado a gostar de selfies para ser quem eu sou, então eu peço demissão. Adeus.

– Sr. McCurry!! Espere um instante!

– O que o senhor quer agora??

– Antes do senhor ir… Vamos tirar uma selfie!

Curiosidades e explicações sobre os Imdionach e os cristais

Os Imdionach são como um sistema imunológico que procura e destrói erros no sistema. Eles foram criados a partir do segundo mundo, como uma medida de controle dos bugs que apareceram quando Yzen e Maine entraram dentro do sistema. Depois da fusão de Yzen e Maine, o poder dos Imdionach é utilizado por outras pessoas por meio dos cristais. Os cristais azuis e vermelhos são manifestações do poder dos Imdionach de corrigir bugs. Após a criação dos sete mundos, o poder dos Imdionach, de consertar bugs, passa para Johan e Lina e eles se tornam os guardiões daquele mundo, recrutando pessoas com afinidade para servir junto com eles, portando os cristais que contém o poder dos Imdionach.

O cristal verde de Johan, no entanto, não é um pode dos Imdionach, ma é o próprio código base do sistema de criação, assim como também contém a vida de Lina. O cristal de Johan atravesa vários ciclos, passando por vários portadores. Uma linha cronológica do cristal de Johan é esta:

a) Johan absorve o cristal na loja de antiguidades (primeiro livro)

b) O cristal continua com ele até ele virar guardião (segundo a quinto livros)

c) seu cristal então é roubado por Maine (sexto livro)

d) Maine usa o cristal para iniciar o programa de criação de vida (sexto livro)

e) Quando Maine e Yzen entram no portal, o cristal é absorvido pelo sistema (sexto livro)

f) O cristal é manifestado dentro de Lina, do quinto mundo (primeiro livro)

g) O cristal dentro de Lina é roubado por Miguel (primeiro livro)

h) O cristal de Miguel é recolhido por King (segundo livro)

i) King é restaurado por Kyle e continua com o cristal (terceiro livro)

j) ele usa o cristal para restaurar a Lina do quinto mundo (terceiro livro)

k) O cristal fica dentro de Lina até quando ela virar uma guardiã (terceiro a quinto livros)

l) Lina abre mão de seu cristal para resgatar Johan (sexto livro)

m) Johan entra no sistema e vira King e continua com o cristal (sétimo livro)

n) Miguel rouba o cristal de King (segundo livro)

o) O cristal de Miguel é recuperado por Johan (terceiro livro)

p) O cristal fica com Johan até a batalha contra Maine (quarto livro)

q) Johan dá o cristal a Yzen para selar Maine (quinto livro)

r) Vincent usa o cristal que selou Maine é usado para resgatar Lina (sétimo livro)

s) Lina entrega seu cristal a Vincent é absorvida por ele (sétimo livro)

t) Vincent entra no sistema e vira Kyle e ainda tem o cristal (sétimo livro)

u) Kyle usa o cristal para resgatar King (terceiro livro)

v) King vira Vincent e continua com o cristal (quarto a sexto livros)

w) Vincent recebe o cristal de Lina e continua com o cristal que recebeu de Kyle (sétimo livro)

x) Kyle entrega o cristal a Johan na loja de antiguidades (primeiro livro)

Assim sendo, todos os cristais usados por Johan, Lina, King, Miguel, Vincent, Kyle, Yzen e Maine são na verdade o mesmo cristal.

Agora, uma linha cronológica do Johan:

a) Johan do terceiro mundo absorve o cristal (primeiro livro)

b) Ele luta contra os vírus e perde lina (primeiro livro)

c) Ele perde as memórias e volta a ser um garoto normal (segundo livro)

d) Por meio de Kyle, ele recupera as memórias e seu poder (segundo livro)

e) Ele luta contra Miguel no quarto e sexto mundos (segundo livro)

f) Ele luta contra Miguel no sétimo mundo (terceiro livro)

g) Ele vira um guardião com Lina (quarto e quinto livros)

h) Ele é morto por Maine mas resgatado por Lina (sexto livro)

i) Ele entra no sistema como King para destruir o ciclo (sétimo livro)

j) Ele é convencido por Kyle a parar de lutar (sétimo e segundo livros)

k) Ele é morto por Miguel e resgatado por Kyle (segundo e terceiro livros)

l) Ele vira Vincent, um observador para ver se Kyle falava a verdade (terceiro a sexto livros)

m) Ele resgata Lina e vive com ela depois que o sistema é completo (sétimo livro)

n) Ele volta para o terminal para cumprir sua última missão e vira Kyle (sétimo livro)

o) Ele entrega o cristal para Johan (primeiro livro)

p) Ele ajuda Johan a recuperar sua memória (segundo livro)

q) Ele conversa com King (segundo livro)

r) Ele resgata King (terceiro livro)

s) Ele entra no Terminal (sétimo livro)

Além disso, temos Yzen e Maine, que ao entrarem no terminal e no sistema de criação começam a se corromper (pois não detém mais das chaves do terminal, os cristais verdes) e acabam se fundindo na mudança entre quarto e quinto mundos, virando um ser chamado Laud-Zeor. Eles recuperam a identidade quando Johan completa o ciclo após vencer Miguel e por fim, são absorvidos pelo sistema.

Resumo da saga Terminal VII

Sétimo livro

Vincent – um viajante misterioso com um grande segredo

King – A versão de Johan guardião que entrou no sistema pelo terminal para destruir o mundo

Kyle – Mentor de Johan, quando ele começou a lutar no quinto mundo

Lina – O amor de Johan, que carrega consigo uma chave do terminal

A história começa com Vincent, olhando a torre negra e as batalhas de longe. Ele entra na torre sem ninguém perceber, pois os guardiões estão muito ocupados tentando parar a destruição do mundo. Ele vai até a sala onde Maine estava presa e onde Lina jaz morta, porque ela deu o poder dela pra Johan. Vincent toca na câmara criogênica, que se transforma de volta na espada que Yzen usou para selar Maine. A espada então se transforma no cristal, pois originalmente era um cristal, que foi dado de Johan para Yzen, durante a batalha do sexto livro. Ele usa esse cristal em Lina e Lina recupera suas memórias, mas está confusa. Porque ela está viva novamente? Ela olha para Vincent e pergunta quem é ele.

Então Vincent diz para não se preocupar e a leva para longe da torre, para longe de todos. Lina acorda numa casa e quando ela levanta e procura Vincent, encontra ele sentado na varanda olhando para o horizonte. Não há sinais de destruição do mundo. Lina pergunta novamente quem ele é e quando Vincent se vira para ela, ela finalmente o reconhece e diz: Johan!

A história então vai para King. Na batalha entre Johan e Miguel, Kyle vai batalhar contra King. Assim que eles se isolam de Miguel e Johan, King diz então para Kyle que ele já viu tudo aquilo, mas que não entende. Ele precisa destruir o ciclo, porque ele falhou. King explica que ele vai lutar contra Miguel e vencer, que o mundo “baixo” vai ser completo, que ele fica encarregado de parar o ciclo em seu mundo, mas que ele falha. É por isso que ele não pode falhar de novo. Lina deu a vida dela para que o ciclo parasse. Mas ele sabe que Kyle consegue convencê-lo a parar. Como?

En tão Kyle diz que sabe disso tudo. Kyle diz que Lina não está morta e que ele não precisa mais lutar. Quando King indaga o porquê Kyle diz que ele também é Johan. Ele viveu como Johan, viveu como guardião e diz para King que nunca houve um ciclo, apenas uma criação infinita de dimensões. O mundo de cima não é destruído. Eles continuam a existir em paralelo, mas em versões temporais diferentes. Mas King fala que viver não faz mais sentido, porque Lina não está mais com ele, Kyle pede para King olhar para o cristal-chave e diz que Lina nunca saiu de perto dele. Como ele conseguiu sentir Lina na batalha do sétimo mundo? porque Lina sempre esteve dentro daquele cristal. Ele nunca irá se separar de Lina enquanto estiver com a posse de uma chave do terminal.

Quando King compreende que ele não precisa mais lutar para destruir o ciclo porque as pessoas do mundo “de cima” não iriam morrer e que a vida de Lina estava contida dentro do cristal, ele finalmente é convencido de que a batalha é inútil e ele cessa o ataque e a guerra como King. Ele toma o cristal de Miguel e o guarda dentro de si, fingindo destruí-lo para que Miguel também parasse de lutar.

A história volta para Vincent e Lina. Ele disse que deu um voto de confiança a si mesmo e agora ele confirmou que é verdade. O mundo não foi destruído. O desejo de Maine não causou a destruição, apenas a criação de mais uma linha temporal. Vincent e Lina vivem por bons anos sozinhos naquela casa, finalmente livres de qualquer obrigação como guardiãos. Eles começam a envelhecer juntos, já que não usam mais os poderes dos Imdionach, mas os dois ainda tem cada um um cristal-chave do terminal. Depois que eles envelhecem juntos, Lina pergunta o que Vincent vai fazer. Ele diz que tem vontade de continuar envelhecendo com ela até o fim. Mas Lina indaga como o Johan do mundo “de baixo” vai se sair se ele não agir. Vincent entende que ele precisa ir cumprir a parte final de sua missão e isso sim significa dizer um adeus definitivo a Lina.

Ele diz que eles já estão felizes, porque eles precisam se envolver novamente com o terminal e os mundos? Eles já fizeram bastante. Mas Lina diz que se ele não for, um Johan dos mundos criados deixará de estar perto de Lina para sempre. Eles viveram bons anos e está na hora dele cumprir seu papel final. Lina então retira seu cristal-chave e o dá a Vincent. Ela começa a desaparecer, sendo sugada para dentro do cristal que estava dentro dela. Ela diz que sempre estará com ele, porque ela é o cristal. Vincent diz seu adeus final à Lina e entra no terminal.

Quando Vincent entra no terminal, ele não é transportado diretamente para um mundo, mas sim para uma sala de controle. Nos painéis está escrito “error” com um log dos acontecimentos dos sete mundos criados. Os mundos foram criados com sucesso, mas todas as pessoas morreram, pois os Imdionach destruíram a todos. Vicent então puxa o backup do quinto mundo, que estava em suspensão e entra dentro do backup, restaurando uma versão anterior. Dentro deste mundo, ele se auto-entitula Kyle e abre uma pequena loja de antiguidades e puxa um dos cristais que ele carrega, o tranforma em uma espada e coloca na vitrine. Ele sabe que só vai ficar com a loja aberta apenas um dia, mas será suficiente.

A pós a visita de Johan à loja, Kyle vai para o sexto mundo, onde serve de tutor para Johan. Ele conta sobre os ciclos, mas omite o fato de que King é o Johan do mundo de cima, preferindo dizer que é apenas o Johan do quarto mundo. Ele se encontra com King e conversa com ele. Depois ele volta com Johan, o deixa no sexto mundo e volta para o quarto, pouco após Miguel matar King e roubar seu cristal.

Kyle usa o último dos cristais que carregava para resgatar as memórias e a vida de King e então instrui King a trazer as memórias de Lina de volta, com o cristal que ele guardou de Miguel. A história então pula para depois da batalha com Miguel, onde King decide virar um observador e se auto-entitula Vincent. Quando Vincent deixa a torre, Kyle olha uma última vez para a porta do terminal, que agora está trancada pelas chaves que Laud e Zeor fizeram. Ele sorri e diz “mas isso nunca foi problema para mim”. Ele força a abertura do terminal. Ele diz “Agora, vamos descobrir o que está lá fora…” e entra no terminal. O sétimo livro termina aqui.